Saúde Pública

Terapia preventiva com vermífugos

29/09/2017 - 11:47

Quando e quem deve usar vermífugos? 

As infecções por helmintos estão entre as infecções mais comuns no ser humano, afetando uma elevada proporção da população mundial, principalmente nas regiões tropicais1. Segundo a OMS, mais de 1,5 bilhões de pessoas estão infectadas com helmintíases transmitidas pelo solo, em todo o mundo2. Estas infecções representam um grave problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, contribuindo para a prevalência de desnutrição, anemia, eosinofilia e pneumonia. As helmintíases que causam morbidade grave incluem filariose linfática, oncocercose e esquistossomose1.

O controle dessas infecções depende não somente do uso de terapia farmacológica, mas também da prevenção da transmissão através de recomendações sobre preparação de alimentos e higiene, fornecimento de saneamento adequado e tratamento de esgoto, provisão de fontes seguras de água potável e controle efetivo dos vetores1,2.      

A terapia medicamentosa preventiva é a medida mais eficaz para o controle de helmintíases transmitidas pelo solo, principalmente em áreas endêmicas, cujo arsenal terapêutico inclui albendazol, mebendazol, levamisol e pirantel3. Um estudo publicado em 2016 concluiu que programas anuais de terapias medicamentosas preventiva contra esquistossomose e helmintíases transmitidas pelo solo podem ser altamente custo-efetivos4. Tendo em vista que muitos dos fármacos são de amplo espectro, permitindo que várias doenças sejam tratadas simultaneamente, a profilaxia deve ser planejada com base no medicamento e não nas formas específicas de helmintíase5.

A OMS reconhece o Brasil como um dos países onde as intervenções de terapia medicamentosa preventiva podem ser implementadas para filariose linfática, oncocercose, esquistossomose e helmintíases transmitidas pelo solo1. A administração precoce e regular dos fármacos anti-helmínticos recomendados pela OMS reduz a ocorrência, a gravidade e as consequências a longo prazo da morbidade e, em certas condições epidemiológicas, contribui para a redução sustentada da transmissão5.

O CIM-RS reforça que o uso de medicamentos para controle de helmintíases deve ter acompanhamento de um profissional capacitado.

            Texto elaborado por Acadêmicos Iago Christofoli e Iara Gerhrke

 

Revisado por Farm.ª Tatiane da Silva Dal Pizzol

  1. SWEETMAN S. (Ed), Martindale: the complete drug reference. London: Pharmaceutical Press. Electronic version, Greenwood Village, Colorado: Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponívelem: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatch.Acessoem: 19/09/17.
  2. WHO. Media centre. Soil-transmitted helminth infections. Fact sheet. Updated September 2017. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs366/en/. Acesso em: 28/09/17.
  3. FUCHS, F. D.; WANNMACHER, L. Farmacologia Clínica: fundamentos da terapêutica racional. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  4. Lo NC, Lai YS, Karagiannis-Voules DA, et al.Assessmentof globalguidelinesforpreventivechemotherapyagainst schistosomiasisandsoil-transmittedhelminthiasis: a cost-effectiveness modeling study. Lancet Infect Dis. 2016 Sep;16(9):1065-75. Disponível em:http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1473309916300731?via%3Dihub. Acesso em: 22/09/17.
  5. WHO. Preventive chemotherapy in human helminthiasis : coordinated use of anthelminthic drugs in control interventions: a manual for health professionals and programme managers. Genebra, 2006. Disponívelem: https://goo.gl/74KisX. Acessoem; 19/09/17.

 

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