Saúde Pública

Gengibre na gestação

20/10/2017 - 10:34

Gengibre para náuseas durante a gestação funciona e é seguro? 

Náusea e vômitos são sintomas comuns nos primeiros meses da gestação, sendo relatados por 50% a 80% das mulheres grávidas1,2. Diversos tratamentos são sugeridos para o alívio destes sintomas, incluindo intervenções farmacológicas e não farmacológicas. Devido à grande preocupação acerca do uso de medicamentos nos primeiros meses de gestação e à popularização de terapias alternativas, os tratamentos não farmacológicos são cada vez mais utilizados para o manejo de náuseas e vômitos durante a gravidez1.

Gengibre (Zingiber officinale Roscoe) tem sido usado como antiemético na prevenção e manejo de náusea3,4,5, podendo ser considerado uma opção não farmacológica em mulheres grávidas com náusea e vômitos de gravidade leve a moderada2,6.

Em uma revisão sistemática Cochrane®, o uso de gengibre para alívio de náusea foi examinado em 13 estudos, sendo comparado com placebo, com fármacos antieméticos, camomila, acupressão no ponto P6 e vitamina B6. De modo geral, os resultados sugerem haver uma melhora na náusea com o uso de gengibre, sem diferenças estatisticamente significativas entre as terapias avaliadas. Não foram observados efeitos adversos significativos para a mãe ou para o feto1.

Apesar dos resultados promissores, existem razões para cautela no seu uso3. É descrito que o gengibre, em altas doses, diminui a agregação plaquetária, aumentando o risco de sangramentos7,8 e podendo afetar a ligação ao receptor de testosterona no feto3,5,7.Portanto, assim como todas as substâncias usadas durante a gravidez, somente deve ser usado se o benefício superar os riscos8. Contudo, mais estudos são necessários para determinar a dose máxima segura, os níveis séricos associados aoefeito sobre a agregação plaquetária7, a duração apropriada de tratamento e potenciais interações fármaco-droga vegetal9.

O CIM-RS reforça que o uso de produtos com finalidade terapêutica durante a gestação deve ter acompanhamento de um médico.

Texto elaborado por Acadêmica Iara Gerhrke

 

Revisado por Farm.ª Tatiane da Silva Dal Pizzol

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. MATTHEWS A, HAAS DM, O’MATHÚNA DP, DOWSWELL T. Interventions for nausea and vomiting in early pregnancy.Cochrane Database of Systematic Reviews 2015, Issue 9. Art. No.: CD007575. DOI: 10.1002/14651858.CD007575.pub4.
  2. AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICS AND GYNECOLOGY. Practice Bulletin 153: nausea and vomiting of pregnancyObstetGynecol 2015 Sep;126(3):e12
  3. DERMARDEROSIAN, A.; BEUTLER, J. A. (Ed) The Review of Natural Products: the most complete source of natural product information. 7. ed. St. Louis: Facts and Comparisons, 2012.
  4. SWEETMAN S. (Ed), Martindale: the complete drug reference. London: Pharmaceutical Press. Electronic version, Greenwood Village, Colorado: Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatch. Acesso em: 17/10/2017.
  5. BRIGGS, Gerald G.; FREEMAN, Roger K.; YAFFE, Sumner J. Drugs in pregnancy and lactation. 10 ed.  Wolters Kluwer Health, 2015
  6. ROYAL COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNAECOLOGISTS (RCOG). Guideline No. 69. The management of nausea and vomiting of pregnancy and hyperemesis gravidarum. Jun. 2016.
  7. DRUG-REAX® System. MICROMEDEX® Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatch. Acesso em: 17/10/2017.
  8. HALE, Thomas W.; ROWE, Hilary E. Medications & Mothers’ Milk. 16 ed. Hale, 2014.
  9. DING M, LEACH M, BRADLEY H. The effectiveness and safety of ginger for pregnancy-induced nausea and vomiting: a systematic review. WomenBirth 2013;26(1):e26-30.

 

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