Saúde Pública

Interações entre medicamentos e tabaco

10/11/2017 - 12:09

Além dos malefícios diretos à saúde, o tabaco pode alterar a farmacocinética e farmacodinâmica de alguns fármacos.

           De acordo com estimativas da OMS, mais de 1,1 bilhões de pessoas no mundo fumam cigarro1. No Brasil, a prevalência de uso diário ou ocasional de produtos derivados de tabaco é de 15,0% (21,9 milhões de pessoas), conforme Pesquisa Nacional de Saúde (2013)2. Os homens apresentam percentual mais elevado de usuários (19,2%) do que as mulheres (11,2%)2. A epidemia do tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública, matando mais de 7 milhões de pessoas a cada ano. Mais de 6 milhões de mortes resultam do uso direto do tabaco, enquanto aproximadamente 890.000 mortes ocorrem devido à exposição passiva3.

            Além dos malefícios diretos à saúde, o tabaco pode alterar a farmacocinética e farmacodinâmica de alguns fármacos. A fumaça contém mais de 3.000 substâncias químicas identificadas. Alguns dos componentes do cigarro são capazes de causar indução enzimática (ex: nicotina), enquanto outros componentes agem como inibidores enzimáticos (ex: monóxido de carbono, nicotina). Fumar cigarros pode induzir CYP-450 1A1 E 1A24,5, enquanto inibe CYP2A64.

            A indução de enzimas hepáticas pelas substâncias do tabaco pode aumentar o metabolismo de fármacos. Os requerimentos de dose são maiores em pacientes recebendo medicamentos afetados por este mecanismo4,5. Os efeitos do tabaco no metabolismo de fármacos são mais acentuados em fumantes mais jovens (idade inferior a 40 anos) e podem persistir por meses após parar de fumar. A frequência de alterações clinicamente significativas no metabolismo de fármacos é proporcional à quantidade de cigarros fumados por dia4. Os efeitos farmacológicos da nicotina podem aumentar ou antagonizar os efeitos de outros medicamentos.

Diante disso, novos usuários de tabaco, bem como aqueles que estiverem descontinuando o uso, podem necessitar de monitoramento da resposta clínica da terapia medicamentosa e de ajuste de dose4,5.

            Alguns exemplos de fármacos com interação documentada com tabaco são cafeína4,5,6, duloxetina4,6,7, insulina4,5, propranolol4,5,6,7, contraceptivos hormonais4,5,6 e varfarina4,6,7.

            Se você é profissional da saúde, aconselhe sobre os malefícios do tabaco para a saúde do fumante e das pessoas que convivem com ele e oriente sobre interações com medicamentos clinicamente relevantes.

                Texto elaborado por Acadêmica Iara Gerhrke

Revisado por Farm.ª Tatiane da Silva Dal Pizzol

REFERENCIASBIBLIOGRÁFICAS

  1. World Health Organization. Prevalence of tobacco smoking. Global Health Observatory (GHO) data. 2015. Disponível em: http://www.who.int/gho/tobacco/use/en/. Acesso em: 06/11/2017.
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Rio de Janeiro: IBGE; 2013. Disponível em: ftp://ftp.ibge.gov.br/PNS/2013/pns2013.pdf. Acesso em:07/11/2017.
  3. World Health Organization. Fact Sheets: Tobacco. May 2017. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs339/en/. Acesso em: 06/11/2017.
  4. TATRO, D. S. (Ed.). Drug Interaction Facts 2015: the authority on drug interactions. St. Louis: Facts & Comparisons, 2015.
  5. Kroon, Lisa A. Drug interactions with smoking. American Journal of Health-System Pharmacy Sep 2007, 64 (18) 1917-1921.
  6. DRUGDEX® System. MICROMEDEX® Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatch. Acesso em: 06/11/2017.
  7. NSW Health. Medication interactions with smoking and smoking cessation. Disponível em: http://www.health.nsw.gov.au/tobacco/Publications/tool-14-medication-intera.pdf . Acesso em: 06/11/2017.

 

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