Saúde Pública

CÁPSULAS DE GUARANÁ COMO ESTIMULANTE

16/02/2018 - 09:35

Energético natural?

O guaraná - Paullinia cupana Kunth – é rico em estimulantes derivados de xantina (como a teofilina, a cafeína e a teobromina), flavonoides, fósforo, ferro, magnésio, potássio, cálcio, vitamina A e vitamina B1. É amplamente utilizado, mas o seu uso é eficaz?

O guaraná é classificado como estimulante1,2,3,4,5. O seu uso para estimular a cognição é incerto1,2. A administração de 1g por dia (3,6-5,8% de cafeína) não resultou em benefícios. O uso em longo prazo não apresentou melhora na memória2; em modelos animais apresenta efeito para o estresse1 e depressão3 e pode ser possivelmente efetivo na perda de peso1,2.

Doses únicas podem conter 200 a 800mg de guaraná; a ingestão oral diária não deve exceder 3 gramas de pó de guaraná ou de seu equivalente1,3.

A ação estimulante é atingida, em geral, com 50-100mg4 ou 150 a 250 mg de cafeína5, concentração superior em comparação na contida nos extratos de guaraná nas fontes consultadas1,2,3,4,5,6,7,8,9,10.

Revisão Cochrane® de 2012 inferiu que, em indivíduos saudáveis, um tratamento durante 5 dias com uma preparação comercial de guaraná utilizada de acordo com instruções descritas na embalagem, utilizando 350mg de extrato de sementes de guaraná contendo 2,5% (p/p) de cafeína, três vezes ao dia, não forneceu evidências de quaisquer efeitos importantes sobre o bem-estar psicológico (estímulo), ansiedade e humor (Disponível em: http://bit.ly/2ErWU0Q).

Para utilizar com segurança produtos com potencial terapêutico, consulte o profissional farmacêutico.           

Texto elaborado por Acad. Iago Christofoli

Texto revisado por Farmacêutico Alexandre T. Sartori

 

  1. DRUGDEX® System. MICROMEDEX® Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatch. Acesso em: 15/02/2018.
  2. DERMARDEROSIAN, A.; BEUTLER, J. A. (Ed) The Review of Natural Products: the most complete source of natural product information. 7. ed. St. Louis: Facts and Comparisons, 2012.
  3. SKIDMORE-ROTH, L. Mosby’s Handbook of Herbs & Natural Supplements.4.ed. St. Louis: MosbyElsevier, 2010.
  4. SWEETMAN S. (Ed), Martindale: the complete drug reference. London: Pharmaceutical Press. Electronic version, Greenwood Village, Colorado: Truven Health Analytics. The Healthcare Business of Thomson Reuters. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/home/dispatchAcesso em: 16/02/2018.
  5. Ministério da Saúde. Formulário de Fitoterápicos Farmacopeia Brasileira. Brasília: Editora Anvisa; 1ºEd; 2011.
  6. WAGNER, H.; WISENAUER, M. Fitoterapia: fitofármacos, farmacologia e aplicações clínicas. 2.ed. São Paulo: Pharmabooks, 2006
  7. BRATMAN, S.; GIRMAN, A. M. MOSBY’SHandbook of Herbs and Supplements and their Therapeutic Uses. St. Louis: Mosby, 2003.
  8. BARNES, J.; ANDERSON, L.A.; PHILLIPSON, J.D. Fitoterápicos. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.
  9. BRASIL. Fundação Osvaldo Cruz / Farmanguinhos. Monografias de plantas medicinais brasileiras e aclimatadas / Benjamin Gilbert; José Luiz pinto Ferreira; Lúcio Ferreira Alves. Curitiba: Abifito, 2005.
  10. ESCOP Monographs: the scientific foudation for herbal medicinal products. 2. ed. Exeter: ESCOP, 2003.

 

CIMRS.org.br
Saúde Pública

Enviar Comentário